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  • Foto do escritorLuís Fragetti

Gripe H2N3: quais são as cepas de influenza mais associadas aos casos de "gripe comum" no Brasil?

Justifica-se esta publicação devido a boatos sobre o risco de uma nova pandemia de Gripe em 2018, agora determinada por um vírus denominado AH2N3, boatos esses que tomaram conta dos meios de comunicação, causando medo na população.


O outono e o inverno sempre lembram tempos de gripe pelos vírus Influenza e de problemas respiratórios pelo Vírus Sincicial Respiratório, tempos esses, ocorrendo com pico de incidência em junho, no Brasil.


Todos os anos, as epidemias sazonais de influenza são provocadas por variantes de três vírus principais, dois do tipo A como o vírus influenza A(H1N1)pdm09, o Influenza A(H3N2) e os influenza B (Yamagata ou Victoria), podendo haver maior circulação de um ou de outro subtipo.


O AH1N1 foi responsável  pela pandemia em 2009 e circula até hoje com pequenas variações. O AH3N2 circula entre humanos desde a pandemia de 1968 (gripe de Hong Kong),  Esses dois vírus somente poderiam causar nova pandemia em caso de ocorrer nova recombinação de material genético oriundo de uma variante de influenza não humano com os mesmos (por exemplo, se ocorresse um rearranjo genético com amostras de influenza suínas ou aviárias), fato que pode levar dezenas de anos para tornar a ocorrer.


Em 2018, porém, surgiu boataria simplória ou maldosa de que estaríamos na iminência de uma pandemia ou de uma epidemia extremamente grave pela alta morbidade e mortalidade atribuídas a um vírus Influenza denominado AH2N3. Talvez pela ignorância de quem espalhou o boato houve a troca de AH2N3 ao invés de se grafar e divulgar corretamente como AH3N2.


O vírus Influenza AH2N3 não existe em circulação no Brasil, desde a década de 60, entre humanos, estando sua circulação restrita a animais, atualmente.


As variantes de Influenza presentes no país, detectadas a partir de rede de unidades sentinelas, fornece informação correta para que haja a produção de vacinas que protejam contra as variantes comuns de vírus Influenza em circulação, sendo que para o presente semestre, importando para o Hemisfério Sul,  fazem parte das vacinas os vírus Influenza AH1N1, AH3N2 e Influenza B (uma ou duas cepas virais, Victoria ou Yamagata).


O AH3N2 é um subtipo de vírus influenza tipo A (A(H3N2), provocando os sintomas clássicos da gripe como a febre alta de início agudo, a cefaleia (dor de cabeça), dores articulares, obstrução nasal e inflamação de garganta (faringite) e tosse. Em alguns casos pode ocorrer vômito e diarreia, estando circulando em ambos os hemisférios desde 2015, acometendo particularmente pessoas nas faixas etárias de zero a cinco anos de idade, bem como adultos a partir da terceira idade biológica, grupo de pessoas que podem apresentar complicações, principalmente respiratórias, necessitando eventualmente de internação hospitalar. O motivo de ter atingido maior expressão de morbidade e de mortalidade atualmente, se deve a pequenas mutações ( alterações na estrutura do vírus) dando origem a cepa com diferente comportamento, embora, não capaz potencial pandêmico.


A vacina contra a gripe imuniza contra os vírus de gripe mais comuns e com maior potencial de gravidade, em circulação, entre eles, atualmente, as cepas dos subtipos A(H1N1), A(H3N2) e B (Victoria e Yamagata), sendo importante a vacinação a cada nova campanha anual, para sempre se estar imunizado com o vírus mais próximo possível daqueles circulantes no país, cepas essas atualizadas para cada epidemia. E, importante,  imunizar-se mesmo que nenhum ou apenas um componente vacinal tenha sido alterado, pois minimamente haverá o efeito amplificador ( 'booster') provocado pela nova dose de vacina, reforçando as defesas ativadas no ano prévio.


A campanha de vacinação é indicada para todos, salvo se houver contra indicação médica justificável ou alergia a componentes da vacina (a vacina é produzida em ovos), destacando-se sua importância para os idosos, para as crianças entre seis meses e cinco anos, as gestantes, as mulheres até 45 dias após o parto, os trabalhadores da saúde, os povos indígenas, os portadores de doenças crônicas e os professores da rede pública e particular.


Além de vacinar, há a recomendação de prevenção, de lavar as mãos com água e sabão, com frequência e de cobrir a boca ao tossir, evitar o contato com pessoas doentes e evitar aglomerações.  Em casos de maior gravidade há a  necessidade de acompanhamento de suporte sendo eventualmente necessário o uso de medicamento antiviral específico e, em alguns casos, internação hospitalar.

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